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aa5_p.jpg (23075 bytes)Venho aprimorando minhas técnicas de trabalho ao longo dos desses anos.
A observação atenta e a experimentação permanente são atos fundamentais nesse processo.

 

Por hábito e diversão, busco a melhor maneira de obter planos exatos, superfícies polidas, curvas perfeitas, concordâncias suaves, formas harmoniosas, quase sempre com a ponta de uma pequena lâmina...

 

O trabalho que realizo é inteiramente manual, executado apenas com o auxílio de ferramentas muito simples e, muitas vezes, improvisadas.

 

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As Ferramentas

Serrotes, foices, facas, goivas, formões, raspadeiras e grosas
ajudam a encontrar as formas.

 

Lixas, cacos de vidro e
pequenas lâminas de aço
são usadas para o acabamento.

 

Para secar e envergar o bambu,
uso a chama de um velho
maçarico, o fogão da
cozinha e o calor do
forno microondas.

 

 

 

Quase sempre inicio uma peça durante minhas caminhadas matinais à beira-mar. Gosto muito de trabalhar enquanto converso com amigos na varanda de casa e sempre levo ferramentas e pedaços de bambu quando viajo.

 

O meu trabalho consiste basicamente em extrair pequenos pedaços de material, como se faz com o mármore. O processo de polimento ocorre por desbaste de partículas da madeira, até conseguir gerar uma superfície livre de irregularidades.

 

Posso dizer que as peças são feitas mediante a conjugação de duas atividades elementares, que se sucedem ciclicamente, o tempo inteiro: identificar os defeitos e acabar com os defeitos. Entenda-se por "defeito" tudo aquilo que desagrade aos olhos e ao tato. Imperfeições da forma - sejam elas retas, planas, curvas, pontas, quinas, ângulos, simetrias ou concordâncias, inadequações das condições de equilíbrio, harmonia e beleza, das impropriedade na textura, e tudo o mais que de alguma forma me desagrade ou sugira que o trabalho continue.

 

Para tanto, trato de escolher a ferramenta mais adequada para tentar  minimizar cada tipo de imperfeição que encontre pela frente, como se estivesse resolvendo um intrincado quebra-cabeça.

 

Para quem tem alguma habilidade manual, fazer uma peça é relativamente fácil. A forma e a estética ficam por conta de cada um. Veja o que pensei, quando me vi diante dos bambus que trouxera do sítio de um amigo:

 

"... sentado na cadeira de balanço, fui fazendo o planejamento das minhas atividades.

Primeiro, com a ajuda do serrote, cortaria um gomo que estivesse bem retinho. Depois o desmembraria em quatro ou cinco tiras largas, cortadas no sentido das fibras. Em seguida escolheria um dos pedaços e começaria a desbastá-lo com golpes da minha foicinha paraibana, em busca da forma primária, básica. Feito isso, seria a hora de usar a grosa para melhorar gradativamente o formato do que fosse surgindo. Se necessário, utilizaria o velho formão que, para tanto, teria que ser amolado. O canivete teria uso certo na fase de acabamento preliminar, quando já estivesse chegando bem perto da forma definitiva. Dali pra frente, seria a vez de usar um caco de vidro recém-quebrado para raspar as superfícies até que ficassem quase perfeitas. Com a ajuda de lixas, sempre da mais grossa para a mais fina, faria o acabamento final. Para entortar ou desentortar as peças que estivessem sendo produzidas, utilizaria a chama do fogão..." 

Trecho do livro "Crônicas do Meu Primeiro Infarto"

 

Sugiro que você experimente fazer uma peça de bambu!

 


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